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As reações psicológicas associadas às lesões esportivas* 2

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As reações psicológicas associadas às lesões esportivas*

Alan Raniere Silva Xavier**

     O modelo acima afirma que as respostas psicológicas do desportista à lesão passam por um processo seqüencial através das etapas específicas. Logo após sofrer uma lesão, o atleta entra em uma fase de negação. Em choque ele não acredita que a lesão possa ter acontecido com ele e tende a negar-lhe a importância. Após a conscientização da situação, um estado de raiva se instala. A agressividade do atleta perante as pessoas a sua volta pode ser uma constante.Passa-se então a fase da barganha. Nesse, o atleta parece querer negociar consigo mesmo, (se me recuperar, treinarei todos os dias com muita intensidade).

     No próximo estágio, o atleta reconhece a lesão e suas conseqüências, conscientizando-se da falta de possibilidade de sua participação no esporte, ele passa por um período de depressão e incerteza sobre o seu futuro no esporte. E, o último, segue-se à fase de aceitação, em que o atleta aceita a lesão e passar a estar pronto para o processo de retorno as suas atividades.

     Entretanto, observa-se que os desportistas referem-se de forma diferente ao trauma e as manifestações emocionais, nada seqüenciais e não organizadas. Alem disso, o impacto da lesão sobre o desportista depende da etiologia[1] da lesão, dos fatores situacionais e pessoais, indicando que as reações psicológicas são individuais e únicas.

     Outro modelo proposto à avaliação cognitiva, embasado na Teoria de Lazarus, tem sido mais utilizado para explicar as reações psicológicas ao trauma físico, pois enfatiza que, em face de um estressor[2], o desportista avalia cognitivamente a situação ameaçadora ou não, com base na percepção da gravidade da lesão e possibilidades de recuperação.

Não recuperação

ou atraso

    

Figura 2- Modelo de Avaliação Cognitiva

          Frente ao estressor, no caso, a lesão, o atleta avalia cognitivamente em termos de gravidade e momento de ocorrência. Como resultado direto dessa avaliação, temos uma resposta emocional e comportamentos conseqüentes do desportista frente a se processo de reabilitação, a adesão ao processo e a adesão ao processo e a determinação para cumprir o processo fisioterápico.(Carazzato apud lazarus 2003)

  Já para Samulski apud Petitpas & Danish (1995), apresentaram possíveis reações psicológicas observadas após uma lesão esportiva, mostradas na tabela.

Reações psicológicas associadas à lesão esportiva

(adaptado por Petitpas & Danish)

Reação psicológica

DESCRIÇÃO

Perda da Identidade

Quando um atleta não participa mais de um esporte devido a uma lesa, ele pode experimentar uma sensação de perda de sua identidade pessoal. Essa perda pode afetar seriamente seu autoconceito.

Medo e Ansiedade

Quando lesionados, atletas podem experimentar altos níveis de medo e ansiedade. Eles se preocupam se vão ou não se recuperar, se uma lesão recidida pode ocorrer, se vão perder sua vaga no time. Por não estar treinando e competindo, eles, têm tempo suficiente para esse tipo de preocupação.

Falta de Confiança

Devido à incapacidade de treinar e competir além de capacidade física deteriorada, o atleta pode perder sua autoconfiança aos a lesão. Menor autoconfiança pode resultar em menor motivação, redução de desempenho, além de aumentar a possibilidade de uma lesão adicional, já que o atleta pode tentar manter níveis anteriores de desempenho.

Redução do Desempenho

Devido à redução da autoconfiança e perda de treinamento, o atleta pode ter uma redução de seu desempenho após a lesão.

Muitos atletas têm dificuldades em reduzir sua expectativa de desempenho aos uma lesão e esperam retornar com os mesmos níveis que obtinham antes do problema

Figura 3 Reações psicológicas associadas à lesão

     Ainda segundo os mesmos autores, alguns sinais de podem ajudar na identificação de um ajuste inadequado do atleta após o sofrimento da lesão.

Sinais de ajuste potencialmente problemático a uma lesão esportiva

(Adaptado de Petitpas & Danish, 1995)

SINAIS DE AJUSTE PROBLEMÁTICO

- Sentimento de raiva e confusão

- Obsessão com a questão de quando poderá retornar ao esporte

- Negação (p. ex.: a lesão não é grande coisa).

- Retorno precoce repetitivo ao esporte associado à lesão recidivante.

- Insistência em reclamações de pequenos problemas físicos.

- Culpa por deixar o time sozinho.

- Afastamento de pessoas próximas.

- Alterações rápidas de humor.

- Reclamações exageradas sobre tarefas a fazer.

- Afirmações indicando que, independentemente do que seja feito, a recuperação não ocorrerá.

    Figura 4 Quadro com os sinais de ajuste

ETIOLOGIA DAS LESÕES

     No momento do aparecimento desses sinais, é indicado encaminhar o atleta ao psicólogo do esporte.

     De acordo com Carazzato et al (2004), as reações psicológicas são também, em parte, devido à etiologia da lesão. Pode-se observar marcante diferença entre o macro e o microtrauma; isto porque, no macrotrauma, a lesão é provocada por um evento específico (por exemplo, um carrinho no futebol, uma pancada na borda da piscina na natação), a causa da dor é facilmente reconhecida, o processo de reabilitação é dirigido a um problema específico e o desportista sabe o que deve fazer para se recuperar.

     Ao contrário do microtrauma, existe uma degeneração progressiva da performance que pode ser o resultado de meses e até mesmo anos de estresse. O desportista sofre a dor por muito tempo sem uma explicação clara sobre a causa, o que aumenta a frustração e a depressão, pois treina para melhorar a performance e os resultados mostram um declínio no desempenho.

Reações psicológicas em função da etiologia da lesão

                Microtrauma

Macrotrauma

  • v Causado por um evento específico
  • ü Degeneração progressiva da performance

  • v Causa da dor é facilmente reconhecida
  • ü Pode ser resultado de meses e até anos de estresse

  • v Reabilitação dirigida ao problema específico
  • ü Sofre de dor há muito tempo sem uma explicação clara sobre a causa

  • v Sensação de controle-sabe o que tem de ser feito para se recuperar
  • ü Aumenta a Frustração

  • ü Aumenta a Depressão

Figura 5 Quadro das reações psicológicas

MUDANÇAS NA VIDA DO ATLETA APÓS UMA LESÃO

        Para Becker (2000) As mudanças na vida diária do desportista, depois da lesão, são drásticas e em todos os aspectos: desportivo, físico e psicossocial. As principais mudanças são:

  • a) Bem-estar físico
  • Lesão física;
  • Dor da Lesão;
  • Tratamento e Reabilitação da lesão;
  • Restrição Física Temporária;
  • Mudanças Físicas Permanentes;
  • b) Bem-estar emocional
  • Trauma Psicológico;
  • Depressão;
  • Ansiedade;
  • Sentimento de Perda;
  • Ameaça à Performance no futuro;
  • Demandas Emocionais do Tratamento e da Reabilitação;
  • c) Bem-estar social
  • Perda de Importante Papel Social;
  • Separação da Família amigos e companheiros de time;
  • Novos relacionamentos com o Departamento médico;
  • Necessidade de Depender dos Outros.
  • d) Autoconceito
  • Sensação de Perda de Controle;
  • Alteração de Auto-Imagem;
  • Ameaça de Metas Futuras e Valores;
  • Ameaça de Perda da Posição na Equipe;
  • Necessidade de tomar decisões sobre circunstâncias estressantes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

     As respostas do atleta às lesões esportivas as quais sofreram, são estudadas fielmente pela psicologia do esporte, onde que se pôde constatar que sem esse estudo, a recuperação do atleta será mais tardia, devido ao fato que as respostas dependem das características cognitivas e afetivas do atleta, a individualidade biológica, faz com que as respostas sejam diferentes e em momentos diferentes.

     Esse processo dinâmico é cíclico por natureza, o que significa que sempre um atleta se depara com um novo estressor, uma resposta emocional irá acompanha-lo e influenciar a sua resposta e o processo de recuperação. Compreender essa relação é importante, primeiramente, porque tal entendimento poderá facilitar a execução ou o planejamento de programas preventivos e segundo, porque a ênfase atual em uma abordagem holística do atleta considera o suporte psicológico um grande colaborador para a recuperação integral de seu ser físico e psíquico.

     Mas cabe o questionamento: Os clubes brasileiros, as escolas de iniciação esportiva nos estados, têm estrutura para a execução desse tipo de trabalho com atletas lesionados? Existem profissionais de educação física, habilitados nessa área para atender a demanda?

      Por fim, são esses questionamentos que pairam ainda sem respostas definidas, entretanto são com estudos como esse que se tenta salientar a importância da psicologia desportiva no dia-a-dia do treinamento, recreativo ou de alta competição.


 

* Trabalho apresentado ao curso de Educação Física da Universidade Federal de Rondônia, como requisito avaliativo na disciplina Psicologia do Esporte sob a orientação do Profº Msº Ramón Nunez Cardenãs.

** Acadêmico do 8º Período do curso de Licenciatura Plena em Educação Física Na Universidade Federal de Rondônia.

[1] Segundo o Aurélio (2000), Estudo a cerca da origem das coisas; parte da medicina que trata da origem das doenças.

[2] Trauma físico.

27/09/2007 04:25 ucha #. sin tema

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